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Arquivos Mensais: julho 2016 [f2016Sat, 30 Jul 2016 10:03:57 +000007am312016 30America/Sao_Paulo 30am31am 30201657 amSat, 30 Jul 2016 10:03:57 +0000q00000003v201657 07America/Sao_Paulo757am0357]

É muito fácil

Gostamos de admirar as pessoas que julgamos imprescindíveis. Isso é muito fácil. É muito fácil dizer que as pessoas imprescindíveis são um espelho. É muito fácil entender que espelhos são frágeis, e um dia acabam se quebrando. É muito fácil concordar com quem diz que um espelho quebrado traz má sorte. É muito fácil ensinar […]

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Apaixonado

Maria Luísa sai do prédio e vai andando até o metrô. Alcides se apressa e caminha ao lado dela: — Olá, senhorita, o dia tá lindo hoje, não? Pode me dizer que horas são? — … — Pretende assistir aos Jogos Olímpicos? Eu sim, já comprei ingresso, e a senhorita? — … — Imagino que […]

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Gol!

Olhos fixos na televisão, os dois casais acompanham o jogo de futebol. É final de campeonato, os homens estão tensos, nenhum gol foi marcado até o momento. As mulheres trocam olhares e, como das outras vezes, pretextam algo para deixarem a sala. Sempre que havia futebol, os quatro se reuniam, mas elas logo se cansavam […]

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Andarilho

Por onde ia, arrastava um enorme saco de lixo. Vinha de nenhum lugar e a nenhuma parte ia. Perambulava, vencendo ruas, avenidas, praças e parques, uma cidade inteira. Todos o olhavam com desconfiança, nunca diretamente, mas de soslaio, que é pra não dar chance de aproximação. Ele nunca percebeu essas miradas oblíquas, preocupado apenas em […]

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O limite do insuportável

Esta noite uma tormenta se avizinha. Há meses chove sem parar no vilarejo, como numa Macondo da vida real, deslocada no tempo e no espaço. Só se vê escuridão e água, nunca mais um amanhecer separando o dia da noite. Ninguém sai à rua, só para o imprescindível, como comprar comida. Na volta, até os […]

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O preço

Assim que dobrasse a esquina e caminhasse até o meio do quarteirão, estaria de novo no mesmo lugar, e ele sabia disso. Exatamente: o lugar que, cinco anos atrás, tinha abandonado com essa mesma maleta na mão, fugindo de medo duma barriga indesejada. Debruçada na janela do segundo piso, ela estende as roupas que acabou […]

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Contos Mínimos # 581 a 590

581. Casaram-se por amor e viveram bastante tempo somente um para o outro, até que Marcelinho veio à luz e se tornou o rei da casa. Tudo mudou a partir de então, e o marido acusou o golpe: seu espaço foi diminuindo mais e mais a cada dia. Sentiu falta do carinho da mulher e […]

21 de julho de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos Minímos contos mínimos

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Bisnaguinha

Nas tardes de sábado, houvesse sol, Antônio vestia sua roupa colorida e larga, pintava o rosto de branco e colocava no nariz a bolinha vermelha. Nos lábios, desenhava com batom vermelho um sorriso de orelha a orelha. Transformava-se no palhaço Bisnaguinha e saía de casa para fazer graça. Procurava espaço no meio das pessoas e […]

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As sereias

Mal chega a manhã, as esposas dos pescadores se dirigem às docas e ali se sentam, os pés dentro d’água. Todas trazem linhas e agulhas de tamanhos variados e se dedicam à tarefa de fechar os buracos das redes que seus maridos utilizam no trabalho. Cantarolam enquanto cosem, e cosem com diligência e sem distração: […]

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No café, com uma rosa vermelha

Parada na porta do café, Juliana olha para os lados, apreensiva. Segura numa das mãos uma rosa vermelha, esse era o combinado. Respira com dificuldade, nervosa, sabe que é um momento difícil, mas está decidida. Desta vez ela vai se atrever e jura para si mesma que não voltará atrás. Já é tempo de dar […]

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Peso morto

Eu gostava mais como era antes, quando ele ficava esparramado no sofá vendo televisão, vestindo nada mais que cueca e camiseta, a lata de cerveja numa mão e o cigarro na outra. E as gargalhadas. Como eu me divertia vendo meu pai gargalhar! Às vezes dormia, raramente tomava banho, e minha mãe nem se importava, […]

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A mão de Deus

— E então Deus não é grande?, João Lira perguntava sempre, e ele mesmo respondia: É maravilhoso! Aos domingos, para ver a tarde morrer, a família se juntava no lado de fora do casebre e conversava. João Lira era o que mais falava, os outros ouviam e concordavam com a cabeça. — Quando nós trabalhava […]

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A balada do coração

Olhou o relógio: meia-noite em ponto. Entrou na casa noturna e percorreu o corredor que levava ao bar e à pista de dança. Enquanto pedia uma bebida, balançou o corpo com a música eletrônica que inundava o local. Bum, bum, bum, o ritmo de seu coração respondia ao apelo sonoro, e o álcool lhe dava […]

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A chuva de calcinhas

Se eu disser ninguém vai acreditar, mas digo do mesmo jeito: ontem um monte de calcinhas caiu em cima de mim. Eu voltava pra casa, era uma rua sem muito movimento e, de repente, a chuva de calcinhas sobre a minha cabeça. As pessoas atiram de tudo pela janela dos apartamentos, isso é sabido, mas […]

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Defeito de fabricação

Nossos olhos, assim como a totalidade de nossos órgãos, não pareciam grande coisa quando os vimos em cima da bandeja, mas eram mais bonitos que os olhos sintéticos que colocaram em nosso rosto. Tive ímpeto de dizer isso mas me contive — poderiam tomar-me, àquela altura, como um sujeito egocêntrico, o que não tinha o […]

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Santa Helena

Santa Helena, a cidade, não está preparada para uma coisa dessas, um acontecimento inusitado assim, bizarro assim. E não é que Santa Helena esteja livre de pecados. Não está. Em Santa Helena os assassinos fazem hora extra para que a cada manhã, enquanto os cidadãos de bem tomam o café da manhã com a mesa […]

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Quinzinho

Enquanto seu pai metia quase o corpo inteiro na lata de lixo, revirando tudo em busca de alguma coisa aproveitável no amontoado de sacos plásticos e caixas vazias de pizza, Quinzinho levantou a cabeça e fixou os olhos no homem que se aproximava deles a passos lentos, sob a luz amarelada e mortiça de uma […]

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Reescrever

Retiro o livro do alto da estante. É um volume único, extraordinário e raro. Sinto seu cheiro, tateio sua capa com detalhes em relevo, avalio seu peso com as duas mãos. A mente humana é capaz de muitas maravilhas, como esta, concluo. Abro-o ao acaso. Página 59. Percorro com a ponta do dedo palavras, frases, […]

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Um sujeito peculiar

Silas Arruda é um sujeito peculiar, do tipo que, vagando pela cidade sentado no ônibus, observa pela janela as pessoas que andam apressadas pela calçada e tenta encontrar seus olhos, saber sua história, criar-lhes uma vida. Registra tudo com o olhar silencioso. Não conversa com ninguém, fechado nos próprios pensamentos. Na padaria, enquanto aguarda sua […]

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Contos Mínimos # 571 a 580

571. Não havia criança que não inventasse uma história fantasiosa sobre a casa abandonada no alto da colina. Isso durou gerações. Em nossa mente infantil, imaginávamos que era o castelo de uma bruxa que comia criancinhas, ou a casa de um cientista louco que se transformava em gorila nas noites de lua cheia. Quando foi […]

4 de julho de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos Minímos contos mínimos

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Despejo

O homem de uniforme anda de lá pra cá. Cumpre formalidades, registra, anota, papéis na mão. Vistoria todos os cômodos, confere as paredes e o teto, inventaria o que vê: uma mesa, quatro cadeiras, uma mulher em silêncio, alguns armários, um ursinho de pelúcia, um carrinho quebrado, quatro pratos, quatro pares de olhos perdidos, três […]

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