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Arquivos Mensais: fevereiro 2017 [f2017Tue, 28 Feb 2017 20:42:57 +000002pm282017 28America/Sao_Paulo 28pm28pm 28201757 pmTue, 28 Feb 2017 20:42:57 +0000q00000042v201757 02America/Sao_Paulo257pm4257]

O lado ruim

Você poderá ir caminhando pela estrada que tem sombra até a parte alta da cidade. Ninguém lhe dirá É proibido passar. Siga em frente e logo encontrará a casa com a cerca pintada de branco e rodeada de flores silvestres que tanto lhe enchia os olhos de desejo e cobiça quando você era criança. Nenhum […]

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A cor maravilhosa

Findo o congresso, os linguistas anunciaram, para alvoroço dos acadêmicos e filólogos do mundo inteiro, e espanto da população em geral, o relevante achado da palavra que definiria uma nova cor maravilhosa e a sua iminente inclusão na próxima edição do dicionário de sinônimos. Todos aplaudiram a sonoridade do novo termo e teceram loas à […]

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As tramas

Em Santa Helena a vida não acontece como a conhecemos. Quem chega a essa cidade de sonhos encontrará ruas estreitas feitas de pedras verdes, como um gramado estendido até onde é possível olhar. As casas são todas brancas e têm o mesmo tamanho e formato. É um cenário de aquarela — e não há impressão […]

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Contos Mínimos # 681 a 690

681. Ele estava passando o inferno com a crise de abstinência. A tentação era forte e ele tinha que ter muita força de vontade para não entrar na estação de trens. Esperá-los, em pé na plataforma, era o seu vício. 682. Há dias em que o mais aconselhável a fazer é ver, ouvir e calar. […]

23 de fevereiro de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos Minímos contos mínimos

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Insônia

Uma garotinha ligou para um programa noturno de rádio. Respondendo às perguntas do locutor, disse que tinha oito anos, chamava-se Verinha, estava passando as férias na praia com seus pais e que falava do telefone que havia no corredor da casa. O papai e a mamãe estavam dormindo. Contou que se levantou para beber água […]

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O macaco e a águia

Contam que certa vez, numa floresta do outro lado do mundo, um macaco, esperto como ele só, pegou um tronco seco de árvore caído na grama e o levou até a mais alta montanha da redondeza. Fincou o tronco na terra como um totem. Voltando à parte plana, convocou uma reunião extraordinária com todos os […]

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A carta que veio dos Estados Unidos da América

Hoje recebi uma carta dos Estados Unidos da América. Não tenho dúvidas de que, a partir de amanhã, o carteiro me olhará de outra maneira, com mais respeito. Depois do jantar vamos abri-la, a família reunida na sala sob um silêncio profundo e obsequioso. Trata-se de uma carta dos Estados Unidos da América, e isso […]

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Solidão para uso diário

Esse homem poderia se chamar Antenor, mas daria no mesmo se seu nome fosse Bismarque ou Frederico. Lembro-me de que, por um ou dois copos de vinho e um pouco de companhia, falamos mentiras um ao outro, da mesma maneira que mentem as pessoas cuja alma chega machucada ao final do mês, quando o salário […]

15 de fevereiro de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos companhia, solidão, vinho

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Por quê?

A pergunta que se fazem, em muda e angustiante troca de olhares, é por que demônios seu dono os tinha abandonado nesse inóspito lugar. Não encontram a resposta. Olham para cima buscando algum som, uma voz, pequena que fosse, que lhes mostrasse a razão de estarem ali, sozinhos, largados à própria sorte, mas nenhum retorno […]

14 de fevereiro de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos pergunta, por que, resposta

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O inimigo número um

Por mais que tentassem, não conseguiam acabar com ele. Astuto, evitava armadilhas e emboscadas e desaparecia, reaparecendo pouco tempo depois, colosso impávido. Respondia ao sangue com mais sangue. Para cada homem seu que caísse, matava dez funcionários públicos e oito policiais. A cada quadro sequestrado em suas fileiras, realizava sequestro semelhante no campo inimigo. Era […]

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Contos Mínimos # 671 a 680

671. O amor é cego. Abram alas, deixem-no passar. 672. A mãe lhe daria uma laranja se a menina se comportasse e fizesse o que ela tinha pedido. A garota, com esforço sorridente, se comportou e fez o que a mãe lhe pedira. Então a mulher, gargalhada imunda nos olhos e nos dentes, comeu a […]

8 de fevereiro de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos Minímos contos, mínimos

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Inventário de revivências

Fincado como um poste na calçada, Luís olha a casa e um calafrio sobe e desce por sua coluna. Suor, ele pensa, o mesmo suor que inunda sua testa. Tanto tempo depois, tanta vida depois, e agora ele está novamente ali, para contabilizar. O inventário precisa mostrar, linha após linha, as perdas e os ganhos […]

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O filho de Maria

Maria enrolou o bebê recém-nascido num cobertor trapento e foi para a rua. Os peitos secos não conseguiam alimentar a criança que, por alguma razão inexplicável, não chorava; dormia. O marido tinha sumido assim que soubera da gravidez, levando os únicos bens que o casal possuía e que poderiam ser vendidos ou empenhados: as ferramentas […]

6 de fevereiro de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos bebê, filho, mãe, maria, milagre

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Cabeça de cavalo

Olha com respeito e reverência para a cabeça de cavalo, a crina encrespada pelo vento e o relincho congelado no brilho da prata. Pertenceu a seu avô e agora o objeto herdado estava sobre sua escrivaninha, imóvel entre papéis e lápis de ponta feita. Ainda conserva na retina a imagem do velho abrindo as cartas […]

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Meu irmão mais velho e eu

No colégio continuamos dizendo que ele está viajando. À vovó, quando tem um momento de lucidez e pergunta por ele, dizemos que foi para um garimpo distante no Nordeste e que logo voltará com muitas pepitas de ouro. Para os vizinhos, dizemos que ele não sai mais porque trabalha em casa e faz tempo que […]

3 de fevereiro de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos eu, irmão, mamãe, papai, vovó

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Cena de doçura familiar explícita

Meu pai costumava morrer de vez em quando. Não era uma coisa deliberada; ele simplesmente morria e pronto. Ficava deitado no chão, olhos fechados, as mãos postas sobre a barriga sobre a qual eu e meus irmãos pequenos gostávamos de pular aos gritos e gargalhadas. Minha mãe nos olhava e balançava a cabeça como quem […]

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Memória blue

A culpa foi do taxista: assoviou a canção, reacendeu memórias, ele tinha que assoviar a canção? Perguntei: Sabe se o Bar Vertigem ainda existe? Toca pra lá. Como eu poderia supor que você ainda estaria sentada na cauda do mesmo piano, dez anos depois, cantando pra mim? Quem teve a ideia de ressuscitar aquelas noites […]

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