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10 de junho de 2017

A carta

Esta manhã ele se levantou inquieto. Pegou no armário uma roupa qualquer e guardou a carta no bolso. Decidiu não perder tempo fazendo a barba, mas, depois de se olhar no espelho e perceber as olheiras, resolveu melhorar a aparência. Passou rapidamente a lâmina sobre o rosto e foi para a cozinha. Vacilou uns minutos olhando ao redor e saiu sem beber nada, nem ao menos uma xícara de café preto. No ponto de ônibus, desistiu de esperar a condução e saiu andando. Precisava organizar os pensamentos. Chegou ao edifício e teve dúvida sobre o que seria melhor, se esperar o elevador ou subir pela escada os três andares que o separavam do final de tudo. Foi pela escada. Depois de recuperar a respiração, entrou na sala, cumprimentou o homem que lá estava e entregou a carta a ele. Ao sair, dez minutos depois, não sabia se ria ou se chorava — e se ria ou se chorava no ponto de ônibus ou no apartamento de sessenta metros quadrados do quinto andar que, a partir de amanhã, não será mais seu, mas do banco.

 




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10 de junho de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos banco, carta

               
              
            
                

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