Close

10 de dezembro de 2018

A era do terror

O pesadelo começou quando uma voz saiu do serviço de som do supermercado, pedindo que todos os clientes se aproximassem do caixa 15 para rirem da compra de Expedito. O que a voz dizia era algo mais ou menos assim: Senhores clientes, este é um convite irrecusável. Dirijam-se agora mesmo ao caixa 15 e riam sem piedade da compra que aquele imbecil acaba de realizar. Expedito começava a colocar os produtos na esteira quando ouviu a voz. Sentiu seu rosto pegar fogo ao perceber as pessoas se aproximando e apontando-o com o dedo. Apontavam também para o que ele tinha acabado de comprar, e riam. A gargalhada era geral. Expedito quis sair correndo dali, mas viu o segurança na entrada, que também se dobrava de tanto rir. Permaneceu onde estava e continuou tirando os produtos do carrinho e colocando-os na esteira. Tinha comprado duas caixas de leite, um pacote de arroz, um tubo de pasta de dentes, alguns legumes e um vidro de xampu.

As pessoas ao redor não conseguiam conter o riso. Algumas tinham lágrimas nos olhos, outras um ataque de tosse, muitos, quase em convulsão, seguravam a barriga. Havia cada vez mais gente perto do caixa 15. O som das gargalhadas era ensurdecedor. A voz continuou: Prestem muita atenção, senhores clientes, vejam o absurdo que este pervertido está levando para casa. Expedito se sentiu acuado, como se estivesse nu no meio de uma praça lotada de gente. Alguém pode ser mais estúpido?, a voz provocava a multidão, que se contorcia, a boca escancarada, a língua dançando na cavidade cheia de saliva. Expedito ficou paralisado. Acordou, banhado em suor, no instante em que perguntava para o caixa, com um fio de voz, Quanto devo?

 




Tags:,

10 de dezembro de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos gargalhadas, pesadelo

               
              
            
                

Deixe um comentário