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21 de abril de 2018

À espera

José dos Passos Camargo acordou bem cedo e decidiu que hoje seria o dia. Assim, saiu de casa antes da hora costumeira, mas não foi para a repartição. O peito cheio de desejo de transformação, tomou um táxi até o aeroporto. Queria ir para Nova York ou Toronto, quem sabe Madri ou Tóquio, mas achou muito dispendioso. Usando um nome que não era o seu, comprou uma passagem para São Paulo, a maior cidade do país. Ficou em silêncio até a hora do embarque.

Em São Paulo hospedou-se numa pensão sem neon na fachada, no centro da cidade. A dona que o atendeu garantiu que no quarto havia telefone. Era isso que José dos Passos Camargo queria. Ali também registrou-se com nome falso e subiu rapidamente para se acomodar. Olhou pela janela e se espantou. Nunca tinha visto uma cidade tão grande como aquela. Demorou-se um pouco olhando a paisagem e constatou que ali não era difícil alguém se perder. Ponderou que era fácil ser ninguém numa metrópole gigantesca como a que se estendia diante de seus olhos.

Trancou a porta e sentou-se na cama. Acendeu o abajur. Puxou a mesinha do telefone para perto de si e esperou o aparelho tocar. Não tocou. José dos Passos Camargo foi encontrado dias depois imóvel na cama, morto por inanição, esperando que alguém lhe telefonasse.

 




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