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26 de fevereiro de 2016

A família do Durval

família– Aqui está a nota fiscal, senhor, com o respectivo número de série e o selo de qualidade. Sua família o espera depois daquela porta de vidro. Bom dia.

Durval agradeceu ao funcionário e guardou o documento no bolso. Já conhecia o procedimento, não era a primeira vez que contratava os serviços daquela agência. Esperava, desta vez, não ter que fazer devoluções. Se voltasse a ter problemas, não pensaria duas vezes em denunciar a empresa por propaganda enganosa. Na primeira vez o prejuízo foi bastante significativo: uma traição da esposa com seu melhor amigo, o nariz quebrado e um olho inchado, obra daqueles três meninos muito mal-educados. A traição da mulher foi imperdoável – e tinha que ser justo com o Adalberto, seu amigo de infância? Reconheceu que a culpa foi um pouco sua: quem mandou pedir uma esposa com metade da sua idade? Não, ter esses familiares, definitivamente, não era o sonho de um homem como ele. Devolveu sem pestanejar.

Agora tinha solicitado uma família standard, nada muito diferente do padrão habitual: uma mulher apenas dois anos mais nova que ele e um casal de filhos, de oito e cinco anos. Na semana passada olhou com muita calma o catálogo e escolheu a série MZ35. Parabéns, é uma escolha básica e sensata, disse o funcionário.

Quando cruzou a porta de vidro, Durval sorriu, aliviado. Eles eram exatamente como o anúncio mostrava: bonitos e sorridentes e simpáticos. Abraçou as crianças com alegria e beijou carinhosamente sua esposa. Tinha certeza de que agora tudo correria bem com sua família.

 




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