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3 de setembro de 2018

A felicidade é um pássaro azul

Ali vai um homem comum, um homem como eu e você, dizem dele, e complementam: Mas ele busca alguma coisa. É verdade. O que difere o homem comum dos demais é sua obsessão: ele persegue o pássaro da felicidade. Fez disso sua meta durante meses, anos. Atravessou sete montanhas e sete rios, venceu monstros e tentações, tolerou chagas e tristezas, suportou traições e abandonos, experimentou exílio e descaso. Pôs sua busca na frente de toda ambição, necessidade ou desejo. Não se intimidou com limites ou obstáculos — diante dos olhos um só propósito: encontrar aquela ave azul. Se ela pousasse em meu ombro…, era o pensamento com que costumava adormecer.

O tempo passou e pesou no corpo do homem comum. O pássaro da felicidade também envelheceu, perdeu umas tantas penas e o vigor das asas. Na plumagem escassa havia apenas a lembrança do azul de antes.

Num dia frio o homem comum sentiu fraquejarem suas pernas e braços. Viu um pássaro pousar perto de onde estava. A ave tinha poucas penas, levemente azuladas. Era velha, mas era carne. E o homem tinha fome. Agarrou o pássaro, arrancou as penas, assou e comeu. Foi feliz por um tempo brevíssimo.

 




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3 de setembro de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos felicidade, fome, pássaro azul

               
              
            
                

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