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2 de março de 2021

À mesa com o escritor

O escritor tem uma frigideira. Uma panela grande para carnes, outra, menor, para legumes, um escorredor de macarrão, uma caçarola, uma chaleira, um bule, uma saladeira. Tem dois copos. Duas xícaras para chá e duas para café. Dois pratos rasos, dois fundos, dois para sobremesa. Na seção de talheres, de tudo também há dois: garfos, colheres, facas de cortar bife e de cortar peixe. Colherinhas para adoçar e mexer o café: duas. Guardanapos de linho branco: dois. Taças de vinho: duas.

No preparo dos alimentos o escritor se sai bem. Sozinho e silencioso. Às vezes assovia uma canção. À mesa, porém, na hora do jantar, ele faz questão de companhia. E ela vem. Chega sem atraso. Todas as noites.

A solidão do escritor exige que as louças e talheres que usa para se alimentar sejam exclusivas. Ele sabe disso e assim procede. Observa: que grande espaço a solidão ocupa! Como se espalha pela casa toda, não só à mesa! E que falastrona é ela enquanto come! E como é gulosa a bandida!

 




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