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22 de setembro de 2016

A mocinha do caixa

mocinha

Um homem com uniforme de mecânico e uma verruga perto do nariz compra meio quilo de presunto defumado e dois pedaços de fumo de rolo. São quinze reais e trinta centavos, informa a bela mocinha do caixa.

A senhora que aperta as gorduras sob a roupa de oncinha coloca na esteira três garrafas de vinho, dois quilos de carne de carneiro e um pacote de cigarros. São quinze reais e trinta centavos, repete a simpática atendente.

O casal de namorados espera por alguns minutos na fila e, vários beijos molhados depois, apresenta sua compra: três quilos de batata, duas caixas de suco natural sem açúcar, um tubo de pasta de dentes e duas bandejas de refeição pronta com arroz integral. A mocinha do caixa é toda sorrisos: São quinze reais e trinta centavos.

O ciclista, depois de comprar uma garrafa de água — São quinze reais e trinta centavos — volta e entra novamente na fila: traz agora duas bicicletas, uma caixa completa de ferramentas e dois pneus novos. São quinze reais e trinta centavos, repete com gentileza a doce senhorita.

Há uma centena de pessoas na fila do caixa da atendente bonita, provocando confusão no supermercado. O gerente chega apressado para ver o que acontece e trata sem demora de resolver a situação. Com uma das mãos segura com força a nuca da mocinha e com a outra dá um murro seco em sua cabeça. A senhorita solta um grito abafado, gira os olhos feito um ventilador, ajeita o cabelo e sorri, amável. Passa a cobrar as compras pelo preço marcado na etiqueta. A fila se desfaz e tudo volta a funcionar normalmente.

 




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