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28 de outubro de 2015

A oportunidade

oportunidadeShhh. Sim, pode-se dizer que esse é o som da aspirina agonizando na água. Teodoro observa a pastilha se dissolvendo no copo que tem nas mãos. Senta-se no sofá e apoia a cabeça. Chegou há poucos minutos do trabalho, está cansado e só pensa em se livrar da dor que lateja em suas têmporas. Liga a televisão para acelerar a chegada do sono. Passa por todos os canais e se detém num que mostra uma imagem familiar.

O repórter mostra, ao vivo, o incêndio que acabou de ocorrer na sede de um escritório. Teodoro o reconhece: é o prédio onde trabalha, e de onde saiu há apenas uma hora. Lembrou-se de que fora o último a deixar o local naquela noite. O edifício mostrado na televisão é agora só um esqueleto de concreto, depois da ação dos bombeiros. Teodoro está confuso e não sabe se o que vê é real ou produto da enxaqueca que lhe cozinha os miolos. Mais confuso ficou quando a reportagem mostrou sua fotografia na tela. Ouviu, pasmo, a voz do repórter: Os bombeiros garantem que havia uma só pessoa no edifício e que, pela proporção do incêndio, é pouco provável que tenha sobrevivido”.

Teodoro saiu de seu estupor quando o telefone tocou. Foi até ele mas, em vez de atender, apagou todas as luzes do apartamento, desligou a televisão e se sentou no sofá ouvindo o som insistente do aparelho.

– A primeira coisa que farei será mudar de nome.

E bebeu a aspirina, já completamente dissolvida no copo d’água.

 




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