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27 de janeiro de 2016

A palavra, paraíso e danação

pulseComo o sol refletido no telhado vermelho das casas,

ou sobre a superfície do Oceano Atlântico,

assim quero que sejam minhas palavras: brilhantes.

Ou como a madrugada que desaparece de mansinho logo que a manhã irrompe:

que minhas palavras sejam assim, frescas.

Reluzentes, polidas, lustrosas, enceradas, ou duras e secas, ásperas e rugosas quando preciso for. Como eu. Nunca o meu reflexo. Antes, o que sai de mim. Projeção. Excelência. Sim, e sempre exatas. Ternas ou severas, sensíveis ou brutas. Magras. Gordas. Demoradas. Apressadas. Desnudas. Brilhantes.

Quero ser brilhante, mas por dentro. Lustrar cada palavra à exaustão, amar a imperfeição, achar que nunca está bom, ansiar pela magia: a palavra mágica! A mais humana. A mais brilhante, até que o sol que se põe no lado oeste me queime as costas e diga É hora de descansar, acalmar o coração e dirigir os olhos para outras delicadezas.

Quero ver onde é que está a quadratura do círculo. O tamanho exato da linha que divide o planeta e olhar as duas metades rigorosamente idênticas. Quero brilhar com suavidade, mas também com força. Mais como o fogo do que como as estrelas. Estar nu e, como o fogo, arder. Me debater entre as chamas e, por fim, sair oco do outro lado, as mãos e o olhos repletos de palavras. Puras, frescas, brilhantes.

A poeira e as cinzas que restam depois que um corpo humano é incinerado podem se converter em diamantes. Como a pedra solitária que resplandece no centro de um anel valioso. Isolado. Impenetrável. Poeira de estrelas incrustada em ouro branco. Dedos sobre o teclado. Ágeis, espertos. Decididos. Unstoppable. Solitários. Brilhantes, oxalá sejam.

 




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  1. Oi, Mário, tudo bem?
    Gostaria de dar uma sugestão, por favor, sem a menor intenção de ser crítica. Em um dado momento você diz: “podem se converter em brilhantes”. A pedra valiosa, é o diamante. O tipo de lapidação é que é chamado “brilhante”. Tanto é que outras pedras podem ter a lapidação “brilhante”. Quando uma pessoa é cremada, o processo de elevação do carbono a altas temperaturas pode gerar um diamante, que vai ser lapidado na forma “brilhante”.
    Beijos

    • Caríssima professora Mônica, você tem toda razão. Já alterei o texto (troquei “brilhantes” por “diamantes”). Na realidade, eu quis usar exatamente o sentido de pedra preciosa, que é diamante, como você bem explicou. Obrigado pela sugestão. E apareça mais vezes por aqui. Vou gostar muito de seus comentários. Beijo grande.

  2.     
                        
              
            
                

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