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14 de maio de 2020

A procissão da negra santa

Mas como pode ser essa Nossa Senhora

tão pequena, tão negra, tão africana,

parecendo que não foi acabada direito?

 

Marinês vê a serpente da procissão,

o andor da santa bamboleia nos ombros

dos quatro coroinhas pouco mais que meninos,

aquela santa tão pretinha,

chamando para o Salve Rainha,

poderia ser a mãe de um povo da Guiné,

tão negra a pele, tão vivos os olhos!

 

Multidão e Marinês no meio,

toca o pano da santa,

quer pedir pelo Josué e pelo filho da Lucineide,

“Eia, pois, advogada nossa,

esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei!”,

jura que vê uma lágrima de verniz

descendo no rosto de madeira negra,

seiva santificada,

Marinês é puro êxtase, “me arrebata, santa da minha cor!”

 




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