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23 de maio de 2017

A revolução

Reduziram a comida, a água, a luz e a sanidade. Todas as melhoras obtidas nos últimos anos foram minando até se transformarem em pouco mais que nada. Então tiveram início os protestos, mas ninguém do andar superior fez caso. Ouvidos moucos, todos. O resultado foi que a produção diminuiu até perto de zero. Isso acendeu a luz vermelha e o pessoal de cima ficou alerta. Depois de muitas reuniões a portas fechadas e discussões acaloradas, resolveram recuar dois passos. Tentaram, de forma dissimulada, minimizar os efeitos das manifestações e criar de novo confiança no sistema. Não conseguiram, porém, interromper a onda de desconforto, a despeito das providências de melhorias que introduziram no ambiente. Os ânimos se acirraram e a revolta tomou vulto.

Houve revolução, muitas penas ao vento e um pouco de sangue, que não há revolução sem sangue. Tudo ficou arrasado e teria que ser refeito, dessa vez com mais cuidado e precauções. Na manhã em que, por fim, os moradores lá de cima acreditaram ter acalmado os ânimos e o galinheiro ganhou cerca nova — agora com mais segurança e tecnologia —, descobriram nas filas mais distantes que duas das galinhas mais velhas e uma outra bem jovem tentavam convencer as demais a nunca mais, nunca mais pôr ovos.

 




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23 de maio de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos revolta, revolução, sangue

               
              
            
                

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