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12 de março de 2015

A solteirona Manuela

velhas-amigas

Quando completou 75 anos, a solteirona Manuela falou sobre o grande desejo de sua vida: queria ser mãe. Sonhava em ter um bebê nos braços, amamentá-lo e cantar para que dormisse. Nove meses depois a família teve que interná-la às pressas para a retirada de uma pedra nos rins. No dia em que teve alta, o médico lhe deu de presente um frasco com a pedra que tanta dor lhe causara.

Já em casa, Manuela batizou a pedra de Ana Maria e tratou logo de acomodá-la debaixo de seu travesseiro. Antes de dormir, Manuela conversava longamente com Ana Maria, contava histórias e cantarolava alguma cantiga. A família fazia vista grossa para os delírios da parenta.

Estranhando que sua filhinha não crescia, Manuela decidiu levá-la ao pediatra, mas os familiares preferiram levar a própria Manuela ao psiquiatra, porque aquela história de maternidade já estava passando dos limites. No consultório, temendo ser internada numa casa de loucos, Manuela confessou que estava apenas se divertindo, que sabia que no frasco havia apenas uma pedra e que ela só estava dando asas ao sonho de ter uma filha. A família respirou aliviada.

De novo em casa, Manuela cochichou para a pedra: “Não se preocupe, eu só falei aquilo para que não me aborrecessem mais. E eu sei que você é um menino. A partir de agora seu nome será Zequinha e vou lhe comprar roupinhas azuis”.

 

 




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