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22 de setembro de 2015

A sorte e o azar

moeda-confirmeTorquato olhou aquela gosma que caiu de repente na palma de sua mão, cheirou: cocô de passarinho. Ergueu a vista para o alto e não localizou o autor, que àquela hora já devia estar longe. Ficou ali parado, com a palma para cima, olhando aquela coisa acinzentada que já começava a endurecer. Considerou isso um sinal de boa sorte.

Entrou no bar mais próximo e pediu para lavar as mãos. Encontrou uma moeda, esquecida sobre a pia pelo homem que lá esteve antes. Esse homem voltou minutos depois, justo no momento em que Torquato deixava o banheiro. Eles se olham. Não se falam.

O homem que esqueceu a moeda entrou no lavatório e percebeu que ela não estava mais lá. Saiu e voltou a se encontrar com Torquato, que bebia café com a barriga encostada no balcão. Olham-se novamente e novamente não dizem palavra.

Com a mão dentro do bolso, Torquato apalpa a moeda que acabara de encontrar. Não viu muita vantagem, já que se tratava de valor insignificante, mas, mesmo assim, não quis devolvê-la ao antigo dono. Lembrou-se do cocô do passarinho e sorriu. Intuiu que, sim, a boa sorte estava do seu lado.

O homem que esqueceu a moeda pensou que talvez pudesse perguntar a Torquato sobre ela, mas desistiu. O prejuízo não foi mesmo grande. Decide deixar tudo como está e vai embora do bar, aliviado por livrar-se de algo que quiçá lhe trouxesse má sorte. Já na rua, sente que algo cai em seu ombro. Passa a mão, olha, cheira: cocô de passarinho.

 




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