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28 de outubro de 2017

A travessia

A estrada por onde caminho é cheia de fumaça, pouco vejo adiante, mas sigo mesmo assim. Vou devagar para não me perder no meio da bruma e, às vezes, tenho que estender meus braços para a frente, não corra eu o risco de esbarrar em algum obstáculo e me machucar. Pouso de maneira firme os pés no chão, primeiro um depois o outro, em cadência, sinto a terra úmida entre os dedos e isso me dá alguma segurança para seguir a jornada. Enquanto caminho, olho de quando em quando para os lados e vejo sombras escuras nas margens. Aperto os olhos para enxergar melhor e percebo que são cruzes. Têm o formato de cruzes, então não há dúvida sobre o que são. Assim é se lhe parece, disse o escritor. Há centenas delas nas margens da estrada por onde ando. São as cruzes do caminho, que caminho não as tem? Nas vezes em que desvio do meu rumo, tropeço nelas e me assusto, então volto à direção anterior e prossigo. Caminho sempre com muita atenção, mas ciente de que essas cruzes, num dia desses, irão interromper definitivamente a minha travessia. Será num dia qualquer desses, quando eu ficar sem visão, atrapalhado pela fumaça do caminho, e não souber mais qual é o rumo certo que devo seguir.

 




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