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30 de setembro de 2016

A turma da limpeza

faxineiro

Vassouras na mão, Argemiro e Jurandir terminam a faxina. Observam se está tudo no lugar e em ordem. Argemiro é sempre o mais entusiasmado.

— Rapaz, eu amo o meu trabalho, sou apaixonado pelo que faço. Dá só uma olhada nessa beleza!

— Deixe de ser tonto, Argemiro, para com isso! Só você mesmo pra dizer uma besteira dessas.

— Não enche o saco, Jurandir. Olhe só como deixamos isso, parece uma obra de arte, um cenário de novela.

— Argemiro, você é um idiota! Isso é só uma limpeza, não tem nada a ver com arte.

— Pode ser, mas eu limpo como ninguém. Sou insuperável. Eu vou no detalhe, nada me escapa, nenhum cantinho, nenhuma brecha. Já imaginou o que o chefe faria se a gente não trabalhasse direito? Eu nem gosto de pensar…

— É, nisso eu tenho que concordar com você. A gente estaria sem emprego e sem cabeça há muito tempo. Agora anda, vamos embora, já terminamos tudo.

Argemiro e Jurandir dão uma última olhada no local antes de fecharem a porta. O ofício dos dois é limpar a cena do crime, qualquer crime. E não, não, não, eles não trabalham para a polícia.

 




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