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9 de setembro de 2014

A vela

A cera desliza silenciosamente pelo corpo delgado da vela. Cumpre o destino que lhe foi imposto desde o nascimento: derreter e alcançar a base do candelabro.

O pavio, esse escandaloso pedaço de barbante, chora e vomita faíscas quando se vê nu e sem o abraço protetor da cera.

A chama, prevendo sua extinção, tem a calma de quem sabe que tudo tem um fim. Brilha quieta e abre buracos na escuridão.

O tempo, sereno e manso como só os sábios sabem ser, observa a cena e sorri. Não há pressa.

Assim que a luz elétrica voltar, um sopro qualquer devolverá a vela à solidão e à inutilidade de um fundo de armário.

O tempo, esse é eterno.




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9 de setembro de 2014 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos chama, pavio, tempo, vela

               
              
            
                

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