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8 de agosto de 2017

A velha bicicleta

Conseguiu se equilibrar na terceira tentativa. Mãos firmes no guidão, o olhar fixo em algum ponto lá na frente e os pés bem postos sobre os pedais, Antoninho finalmente percebeu que estava pedalando. O coração batia na garganta e a boca estava seca, mas a alegria era maior que o medo. Começou devagar, tremelicando, mas logo ganhou segurança e velocidade.

— Isso, gritou Carlos, não deixe de olhar para a frente. Guidão reto, não se esqueça. Olhe para a frente!

Carlos aplaude quando Antoninho reaparece no outro lado do quarteirão, agora pedalando sem dificuldade a velha bicicleta que ele usou tantas vezes quando era menino e todos o chamavam de Carlitos. Um rei sentado no trono, Antoninho lhe sorri, agradecido. Desce da bicicleta e lhe dá um abraço: Eu consegui! Obrigado pela ajuda, meu bom amigo Carlos!

Dizem que andar de bicicleta, uma vez que se aprende, não se esquece jamais. Carlos sabia disso quando convenceu Antoninho a se sentar no selim. Carlos também sabe que as outras recordações, escondidas nalgum escaninho escuro da memória, serão mais difíceis de resgatar. Como o dia em que Antoninho ensinou o filho Carlitos a andar de bicicleta.

 




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8 de agosto de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos bicicleta, filho, memória, pai

               
              
            
                

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