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15 de agosto de 2019

Aprender o que o amor ensina

Sei que senti,

sei que falo a verdade,

sei que vivi:

 

amei.

 

Tão certo quanto amei é o passar das nuvens,

tão inexplicável como amei é o vento nas antenas de TV,

tão incompreensível é declarar: amei.

 

Não digo que amei como forma de expressão, alto lá:

tinha nervo e tinha fibra em meu esforço,

tinha sangue na mesma medida em meu esforço,

era um jorro,

era grito, era melodia,

e quem, se não eu, era a própria música?

 

Amei,

amei.

 

E perdi.

Luz que havia meus olhos

não há mais: cego agora,

não sou nem tenho música ou melodia,

nervo ou fibra,

certamente não tenho sangue.

 

Foi bonito quando amei,

fui bonito quando amei.

Estou velho.

Passo as mãos no rosto e sinto a velhice,

não só a da pele,

antes a idade do coração.

É que amei, sabe?

 

Depois de amar, aprendi a nada mais saber de nada

e a esquecer tudo o que me ensinou o amor.

Não adiantou, continuei aprendendo

e aprendi o mais terrível:

o amor também vive no esquecimento.

 




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15 de agosto de 2019 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Poesia amei, amor, coração, fibra, nervo, sangue

              
            
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