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3 de julho de 2020

Aprendizado

Perguntei a meu pai enquanto caminhávamos:

 — O que é a vida, pai?

Meu pai ia com um facão numa das mãos, e dava golpes certeiros no capinzal, abrindo passagem. Eu ia atrás dele, admirado, observando como, num passe de mágica, o mundo se abria às minhas retinas ainda sem muito traquejo. Ele suava. Eu suava. O braço de meu pai era incansável. Ele tinha afiado o facão na véspera, de modo que a lâmina não falhava diante do mato alto. O caminho ia se criando diante de nós e eu estava cada vez mais espantado.

 — A vida — respondeu ele — é uma coisa que nunca é do jeito que a gente quer.

E continuou abrindo caminho a golpes de facão. Eu e ele seguimos avançando.

 




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