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9 de julho de 2018

Ar fresco

“Tome um ar fresco e um pouco de sol para arejar a pele. Arre, você fede”, me disse a senhora que passou apressada pela esquina onde eu tava sentado, esperando por um trocado. Olhei pros lados, não vinha ninguém. Ergui um braço, depois o outro, e cheirei meus sovacos. Ela tinha razão, do jeito que eu tava poderia empestear o universo inteiro. Resolvi voltar ao albergue e acabar com esse fedor. Um banho. Enquanto eu andava, as moscas me rodeavam, as pessoas mudavam de calçada quando sentiam minha aproximação e o comércio fechava as portas. Um lixo ambulante, isso era eu. Quando fui cruzar a avenida, um carro gigante interrompeu minha passagem e vários homens de uniforme me meteram na parte traseira do veículo. Não sei quantos minutos durou o trajeto, mas foram muitos. Na chegada, me lançaram pra cima de uma montanha de sacos plásticos de lixo. Ali me deixaram, ao ar livre. Bateu uma brisa gostosa — meu ar fresco! Não fiquei sozinho por muito tempo.

 




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9 de julho de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos ar fresco, lixo

               
              
            
                

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