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25 de novembro de 2015

As crias

crias3Para os que nascem mortos ou deformados, reservo um lugar num grande recipiente de vidro, cheio de álcool. Deixo-os lá, fechados com rolha, e quase não lhes dou importância. De vez em quando deito sobre eles um olhar de pena e um pouco de carinho. Sofro ao vê-los desprotegidos e carentes. Ensaio uma carícia leve, mas é só. São corpos disformes, pequenos monstros sem braços ou pernas ou dedos. Alguns têm a cabeça deformada, grande demais, ou pequena demais. Uma vez surgiu um com chifre, outro com rabo de cachorro, medonho! Eles ficam lá, nadando no líquido, sem outra esperança ou destino a não ser serem esquecidos, apodrecerem e, num dia qualquer, serem definitivamente descartados.

Aqueles que nascem vivos, gorduchinhos e de risonhos olhos azuis, com suas mãozinhas e pezinhos perfeitos, eu costumo publicar aqui no meu blog.

 




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25 de novembro de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Prosa Poética crias, mortos, vivos

               
              
            
                

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