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25 de maio de 2015

As emoções

medo

Nesses tempos duros de energia racionada, todos ficamos felizes com a nova máquina que os cientistas inventaram: os transformadores de emoções em energia limpa, não poluente e muito eficaz. Agora não nos falta nada em casa. Nossas emoções valem dinheiro e é com elas que temos sobrevivido.

A incontrolável raiva de papai, por exemplo, represada por tanto tempo, é utilizada para pagar a gasolina do carro da família. Com a alegria da pequena Carolina temos como comprar, com folga, a grande quantidade de fraldas que ela usa. Os desgostos de mamãe, antigos e cristalizados em sua alma, custeiam nosso consumo de água, luz e gás. As frustrações e amarguras de meu irmão mais velho, por não conseguir um emprego decente para sustentar sua mulher e seus filhos, são a nossa garantia para termos o que vestir. O conformismo e a submissão da vovó, por serem de baixa voltagem, não valem muito mas, mesmo assim, conseguimos comprar o pão nosso de cada dia.

O que nos rende mais recursos, entretanto, é o medo: o medo que atravessa as noites e cai sobre nós como um saco de areia molhada, nos paralisa, quase tira a nossa respiração e nos enche de incertezas quanto ao futuro. É com o medo que pagamos o aluguel, a comida do mês inteiro e os estudos do Carlinhos. O medo que sentimos nos rende um bom dinheiro.

 




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25 de maio de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos emoções, energia, medo

               
              
            
                

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