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15 de novembro de 2017

Assim nasce o conto

A ninguém ocorreu pensar que ele só queria voar um pouquinho, como costumava fazer antes que a flecha envenenada atravessasse uma de suas asas e o ferisse quase mortalmente. Ele furava o ar por puro prazer e se divertia com os voos rasantes sobre a areia da praia, bem junto do olho d’água, alheio à admiração e ao espanto que suas acrobacias provocavam. Mas veio a flechada e nada mais foi como era antes.

Ninguém, nem um só ser vivente, entenderá que, mesmo com a ferida cicatrizada, o veneno seguirá devorando a alegria de quem era só alegria, até transformar seu fôlego e sua respiração num fogo devastador. E quanto perigo há nisso!

No outro lado da moeda, todos aplaudirão o guerreiro por ter abatido, com uma flechada certeira, aquele que não era nada além de alegria, e por isso incomodava. O rei dará recompensas a seu melhor arqueiro e ao trovador que imortalizar a proeza em versos que ninguém esquecerá:

“Era uma vez, num país muito distante daqui…”.

 




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15 de novembro de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos arqueiro, asas, conto, era uma vez, flecha

               
              
            
                

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