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25 de agosto de 2015

Aversão à primeira vista

cortesãFoi apenas vê-la naquela festa e saber que a odiaria por toda a minha vida. O perfume que emanava de sua nuca e o sabor de sua risada não conseguiram me distrair da visão de seu decote, que, eu sei, era do que precisava para saber que jamais a suportaria a meu lado. Custo a acreditar que passei a noite toda pensando no quanto desejava vê-la longe de mim, no quanto me aborrecia o modo como aquele vestido lhe desenhava a silhueta, curva a curva. Era uma mulher em tudo irritante e desagradável, e eu só fazia bem a mim mesmo se me mantivesse a distância.

Fui embora logo depois dela, só para confirmar – enquanto a seguia – o grau da aversão que aquele jeito de andar me provocava. Poderia haver algo mais insuportável que aqueles passos cadenciados, seguros, aqueles tornozelos fortes sustentando a estrutura óssea mais arrogante que eu já tinha visto? Não poderia!

Ela tinha que ter conhecimento da minha antipatia em relação à sua pessoa. Não sosseguei até conseguir um encontro – um café ou uma taça de vinho, ocasião em que deixaria finalmente claro o meu desprezo por ela. Naquele fim de tarde, enquanto esperávamos o garçom, olhei em seus olhos e jurei que era a primeira vez que sentia tamanha aversão por alguém, e que tinha certeza de que jamais experimentaria outra vez tanta repugnância. Ela me devolveu o olhar, sorriu daquele jeito que me deixava enfurecido, disse “seu tonto!”, acariciou meu queixo e assegurou que, sim, ela também seria capaz de suportar, até o fim de seus dias, todo o nojo que a minha pessoa lhe causava.

 




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