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13 de julho de 2016

A balada do coração

coracaoOlhou o relógio: meia-noite em ponto. Entrou na casa noturna e percorreu o corredor que levava ao bar e à pista de dança. Enquanto pedia uma bebida, balançou o corpo com a música eletrônica que inundava o local. Bum, bum, bum, o ritmo de seu coração respondia ao apelo sonoro, e o álcool lhe dava a sensação exata de leveza de que precisava naquela noite.

Bum, sístole, bum, diástole, bum, sístole, bum, diástole. O coração trabalhava no compasso da música, enquanto ele se movimentava no meio da multidão espremida na pista, todos com as sístoles e as diástoles irmanadas no mesmo pulso das caixas de som.

Bum, sístole, bum, diástole, bum, sístole, bum, diástole. À medida que a noite avança e a música atinge decibéis quase insuportáveis, o coração se contrai e se dilata com velocidade maior, ajustando-se ao ritmo acelerado que comanda o movimento de braços, pescoços, quadris, pernas e pés. Bum, sístole, bum, diástole, bum… bum… bum…

Às cinco da manhã em ponto a música é interrompida de repente e acendem-se todas as luzes do local. Os seguranças entram apressados no salão, abrindo caminho entre a multidão de rostos desfigurados, corpos arqueados e olhos vermelhos. Todos fixam o olhar no chão, no centro da pista de dança. Todos, menos ele, que agora ele não vê mais nada.

 




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