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16 de dezembro de 2014

Bernardo

velho (1)

 

Entre risinhos de satisfação, os olhos brilhando, Carolina guiava os dedos de Bernardo e explicava com carinho como ele tinha que fazer. “Aqui, ó, faz assim, bem devagar.”. Ele fazia cada movimento com cuidado, prestando muita atenção. Ficava feliz com a alegria dela. Esse ritual acontecia todas as tardes, na sala ensolarada do casarão. Ele, o empregado, a sós com a filha do patrão, sem ninguém por perto. Bernardo se sentia no céu.

– Viu como você consegue? Devia ter me pedido antes – disse a jovem, satisfeita com os avanços de Bernardo.

– A verdade é que eu tinha muita vergonha… E a senhora, tão bonita… Eu ficava sem jeito… E depois, na minha idade… A senhora entende?

– Claro que eu entendo, Bernardo, mas a idade não importa. E depois, eu adoro isso, e você tem feito muitos progressos, o que me deixa muito feliz.

Bernardo sorri ao se recordar do primeiro dia quando, com os olhos baixos e muito envergonhado, entrou na sala e se dirigiu à filha do patrão: “A senhora me ensina a escrever?”.

 




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