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1 de agosto de 2018

Bonita

Bonita caminha sempre alguns passos atrás dela, cuidando para que não se perca ou escorregue na sarjeta. De quando em quando a mulher se vira para conferir se Bonita não se afastou demais ou se distraiu. Nesses momentos, Bonita corre para perto de uma árvore para urinar um pouquinho ou então finge que espanta um mosquito intrometido em seu pelo. Ela está atenta, mas não quer que a mulher desconfie de nada.

Ela tinha um nome — Bonita —, que lhe deram quando ela apareceu na casa da mulher, abandonada por sabe-se lá quem, e foi saudada como promessa de cura para os males da alma. Deram-lhe um nome, mas não ao que ela fazia à dona. Não é raro que as coisas sejam dessa maneira quando acontecem pela primeira vez: causam espanto, mas ainda não se pode dizer nada sobre elas, nem mesmo nomeá-las. Era assim com Bonita e a mulher, inseparáveis feito siamesas. Não tinha nome o que havia entre elas. A mulher sofria, e Bonita parecia ser seu consolo.

Um par de minutos depois a mulher se senta no mesmo banco de sempre e acende o único cigarro que se permite a cada final de tarde. É o momento de relaxar e pensar na vida. Bonita também descansa ao lado dela e espera que o cigarro termine. Quando vê a bituca no chão, late para chamar a atenção da mulher e, devagarinho, agora à frente, a conduz de volta à casa.

 




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1 de agosto de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos bonita, mulher, nome, siamesas

               
              
            
                

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