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9 de junho de 2017

Buracos negros

No dia em que os cientistas descobriram o primeiro buraco negro do universo, comprovaram a existência de água em seu interior. Isso fazia supor a possibilidade de vida — tal suposição transformou-se rapidamente em certeza. A civilização que encontraram lá mostrou-se surpreendentemente parecida à nossa. Não apenas se organizavam em diferentes países, cidades e comunidades, senão que havia também banqueiros, padres, pastores evangélicos, militares, vendedores de carros e de seguros, políticos e escolas de samba. Havia também o pior de tudo: as manhãs das segundas-feiras.

Diante da possibilidade de ver duplicada nossa existência no universo, os cientistas optaram, depois de muitas reuniões e discussões, por esconder esse fato da humanidade. Desde então, os buracos negros só são mencionados como regiões fantasmagóricas, inacessíveis, entidades quase míticas que ninguém sabe muito bem como definir. Assim, o assunto fica esquecido, afastando-se, definitivamente, a tentação de colonizá-los e construir lá uma filial deste nosso mundo.

 




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