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18 de julho de 2017

Caixa de lembranças

Quando completei treze anos, guardei meus brinquedos de estimação numa caixa de madeira e a enterrei no jardim de casa. Minha mãe plantou gerânios e primaveras em cima e tudo floresceu. Choveu, fez sol, o vento soprou e o tempo trouxe a poeira e o esquecimento. Fui para a universidade e lá conheci uma moça chamada Marisa. Casei-me com ela. Depois da morte de minha mãe, ao vender a propriedade, percebi que no jardim já não havia gerânios ou primaveras. Levei a floreira para casa e lá, junto com minha filha Alice, plantei hortênsias. Revolvendo a terra, a menina encontrou a caixa de brinquedos. Agora vejo que ela brinca com cavalinhos azuis, figurinhas de futebol, soldadinhos de chumbo, índios apache, carrinhos de madeira e o boneco Falcon. As bolinhas de gude me olham como grandes olhos fixos e coloridos; têm o mesmo brilho de quando eu era criança no colégio e o tempo não passou para elas. Mas no lugar do colégio hoje há um estacionamento, embora eu enxergue o velho prédio sempre que passe por lá. No meu coração as lembranças ignoram o tempo e não desaparecem. Que permaneçam assim, guardadas nessa caixa. Talvez, um dia, eu me enterre com elas.

 




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18 de julho de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos brinquedos, caixa, lembranças, memórias

               
              
            
                

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