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10 de setembro de 2014

Coisas que não encontro no supermercado

Cebola que não faça chorar, sabão pra lavar a alma,

assunto pra noite sem luar e um pacote de calma.

 

Uma porção de alegria, pão que não dê barriga,

frango sem melancolia, pipoca ainda na espiga.

 

Tomate que espante a dor, alvejante pra sonho escuro,

sorvete com flocos de amor, amaciante pra coração duro.

 

Xampu que lave pensamento, rabanete sem depressão,

purgante que dê livramento, jujubas de sedução.

 

Iogurte que dê tesão, dentifrício sem segredo,

uma lata de emoção, borracha que apague o medo.

 

Sabonete que limpe ferida, batatinhas com perdão,

leite que dê longa vida e um frasco de ilusão.

 

Porções de cidadania, uma caixa de atitude,

macarrão sem agonia, chiclete que não grude.

 

Com o maior descontentamento, saio de mão vazia,

fracassei no meu intento, vou pra outra freguesia.

 




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  1. Mário, eu adoro ler tudo que você escreve. Vou ler tudo, mas fiquei curiosa pelo título desta poesia. Simplesmente adorei! Quantas coisas a gente realmente não compra em supermercados.
    Sorte pra você e que seu bloq bombe. Abraços

  2.     
                        
              
            
                

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