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2 de junho de 2016

Comboio

No comboio há toda variedade de automóveis: grandes e pequenos, carregados e vazios. Seus ocupantes também variam: em alguns há famílias inteiras, em outros, apenas o motorista. A fila avança em cadência lenta, uniforme e constante. O primeiro carro para suavemente, os demais o acompanham.

O asfalto à frente começa a se mover, a rachar, a abrir fendas e, aos poucos, uma grande greta está formada. Na sua beira, uma enorme fila de carros parados, expectantes. Os ocupantes observam o cenário que acaba de se desenhar sob seus olhos.

Uma gigantesca cabeça emerge da fenda aberta no chão. Sobe vagarosamente, ficando visível até o pescoço. Se fosse um filme, certamente haveria música tonitruante acompanhando a aterradora visão, mas não há. Apenas o silêncio emoldura o inesperado. A cabeça gira, olhando ao redor. Alguns motoristas curiosos descem do carro e se aproximam do fenômeno, procurando entender o que acontece. Outros, imóveis, permanecem dentro dos automóveis, esperando com paciência que a situação se resolva e a passagem à frente seja finalmente liberada. As crianças estão quietas, os olhos muito abertos.

A cabeça, depois de observar o panorama por alguns instantes, fecha os olhos e começa a submergir pouco a pouco. Tal como havia surgido, desaparece no chão. O asfalto se fecha e volta a ser o mesmo asfalto de antes, sem nenhum vestígio de que ali, há apenas um minuto, ou nem isso, havia um buraco por onde apareceu uma cabeça gigantesca.

Os motoristas curiosos que tinham se aproximado para contemplar a cena de perto voltam a seu automóvel. O primeiro carro arranca, os demais fazem o mesmo. O comboio segue seu caminho.

 




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