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15 de junho de 2018

Comportamento geral

Ainda que achássemos estranho, já nos acostumamos com o perambular solitário do tenente pela trincheira. Ele nos olhava e não dizia nada, apenas baixava a cabeça. Nós também o olhávamos sem entender o que se passava, estávamos ocupados demais executando a tarefa que nos cabia: defender nossa causa. Éramos soldados e aos soldados competia lutar e até morrer se necessário fosse. Mas naquela noite tudo mudou.

Naquela noite o tenente entrou no galpão e se sentou para comer conosco. A tropa ficou feliz com a deferência. No meio do jantar ele se levantou e pediu silêncio. Queria falar. O tenente subiu na mesa e nos perguntou por que ainda engraxávamos nossas botas e limpávamos os fuzis, por que lustrávamos as baionetas e cantávamos o hino a cada manhã, por que matávamos os desertores quando fazia meses que não havia munição, nenhum comunicado chegava pelo rádio ou telefone e ninguém tinha conhecimento de novas ordens dadas pelo general.

Por quê?, gritou. O inimigo já voltou pra casa, os trabalhadores retomaram seus postos, as mulheres engravidaram e a guerra acabou há anos.

 




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15 de junho de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos comportamento, guerra, soldados, tenente

               
              
            
                

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