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8 de março de 2019

Confetes variados jogados ao acaso depois do Carnaval

1

Que a beleza

percebida de longe

cega de perto,

aprendi quando criança

olhando as estrelas

 

2

Um buraco negro na luz

estendida no chão:

minha sombra

 

3

Acabou fevereiro

e só o sol e a chuva

não tiveram férias

 

4

Nada além de mortos.

Nem melhores colheitas

nem mais glória

nem mais honra

nem riqueza em abundância

nem poder desmedido

trouxe a guerra.

 

5

Só os tontos

sonham com ganhar guerras.

Não fossem tontos

saberiam que nelas

ninguém ganha.

 

6

Eles carregam

sua merda

aonde quer que vão.

É por isso que

quando vejo um caramujo

penso em certos homens.

 

7

Uma jornada sem trégua

milhões de anos de trabalho

e o rio partiu em dois

o monte indestrutível.

Vale!

 

8

Tarefa de todas as horas

do infatigável rio:

limar suas pedras

com água da fonte

 

9

Rio é um verbo

que se usa

quando se vê

a água

saindo de casa

para passear

 

10

O rio corre para contar

no ouvidinho do mar

tudo o que ele viu

no caminho

 

11

Chovemos juntos

até alta madrugada

a nuvem e eu

 

12

Hoje são distintas

essas nuvens de ontem.

Nós também.

 

13

Há uma língua

secreta, segredosa

para conversar comigo:

o silêncio

 




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8 de março de 2019 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Poesia Carnaval, confetes

               
              
            
                

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