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18 de dezembro de 2018

Contos de não Natal

CRENÇA

Os cristais brilham sobre a mesa impecavelmente arrumada. Os guardanapos dobrados em forma de cisne são o par perfeito para os talheres de prata, bem dispostos ao lado dos pratos de porcelana. As garrafas de vinho, as frutas e os castiçais com velas vermelhas completam a sensação de que uma grande festa está por acontecer. O relógio marca dez minutos para a meia-noite. Todos já estão em seu lugar. Só faltam as pessoas, aquelas de boa vontade. Há a crença de que um dia elas vão aparecer, mas não se sabe quando.

 

INÚTIL

O velho toma outro copo de vinho, sentindo-se o homem mais inútil do planeta. É noite de Natal e todos os presentes para as crianças já foram comprados pelos pais.

 

SUSPEITO

Ninguém ficou surpreso quando o Papai Noel apareceu morto na beira da praia. Seu corpo foi encontrado por pescadores naquela manhã ensolarada de dezembro, quando já estavam partindo para o trabalho em alto mar. Aquela coisa enorme e vermelha imóvel na areia chamou a atenção. O delegado foi chamado para cuidar do caso. Na entrevista aos jornais mencionou a lista de queixas contra o velhinho, “e não só nesta cidade”, enfatizou. “O que devemos nos perguntar é: o que faz um tipo estranho como ele, que fica escondido o tempo todo e só dá as caras no final do ano, gordo até não poder mais, metido numa roupa quente como o diabo em pleno verão de quase quarenta graus e carregando um saco cheio de mercadoria chinesa? É ou não é um cara suspeito?”.

 

 




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18 de dezembro de 2018 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos boa vontade, dezembro, Natal, Noel

              
            
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