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24 de novembro de 2014

Contos Mínimos # 171 a 180

ze171.

O bom de ser um Zé Ninguém é que você não tem que corresponder a nenhuma expectativa que façam a seu respeito.

172.

A chuva, quando caiu, lavou todos os nossos pecados. Foi uma pena. Durante o estio era tudo muito mais divertido.

173.

O acrobata solta seu trapézio para agarrar o de sua parceira. E – como acontece com todas as mulheres -, ela chegou exuberante, esplêndida… e atrasada.

174.

E aí o Rubinato chegou e falou pro cara: “Só não te dou uma porrada agora porque estou aqui com minha esposa”. Então o cara gentilmente pediu licença à esposa dele e arrebentou as fuças do Rubinato.

175.

O Ministério da Saúde decidiu pôr um fim ao complexo masculino que atormenta os homens do país: decretou que fosse trocada a etiqueta de todas as embalagens de camisinhas. Assim, as “grandes” passariam a ser “extragrandes”, as “normais” seriam “grandes” e as “pequenas” seriam “normais”.

176.

Não muito tempo atrás papai costumava morrer duas vezes por dia, quase sempre nas ruas do centro, onde havia mais gente. A multidão se aglomerava em volta dele e eu me encarregava de subtrair a carteira das pessoas que se compadeciam daquele pobre senhor caído no chão. Minha irmãzinha, com suas mãos pequenas, era mais rápida que eu no fuçar os bolsos e sempre conseguia mais. O que ganhávamos dava para o gasto e assim íamos vivendo. As coisas começaram a mudar há uns meses, quando papai passou a morrer umas quinze vezes por dia e, mesmo assim, só conseguíamos umas notas amassadas de pouco valor e algumas moedas. Faz umas semanas que a situação ficou desesperadora, já que quase mais ninguém parava para ver o que acontecia àquele pobre velho caído. De uns dias para cá a situação se inverteu e, quando papai morre na calçada, sempre aparecem uns sujeitos para remexer os bolsos dele, à procura de algo de valor. Agora, nem mais esses sujeitos dão as caras e eu e minha irmãzinha temos que ser rápidos e fugir dos cachorros.

177.

Ela já completou três anos ao meu lado. Merece um diploma, e com distinção! Está formada em mim: minhas manias, idiossincrasias, meus hábitos e vícios. É preciso vocação para isso.

178.

A mulher caminha lentamente pelo jardim de rosas quando, fascinada, fica na frente de uma rosa negra. Não consegue resistir e estica a mão para tocá-la, sentir a textura das pétalas. Seu dedo esbarra acidentalmente num dos espinhos e, pela ferida que se abre, a rosa negra suga todo o sangue que escorre. Poucos minutos depois a mulher cai morta no jardim, ao lado de uma nova e exuberante rosa vermelha.

179.

Fanático, adjetivo. Diz-se da pessoa obstinada e teimosa que defende fervorosamente uma opinião diferente da nossa.

180.

Roubou comida e foi condenado por homicídio: tinha matado a fome.

 




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