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29 de janeiro de 2015

Contos Mínimos # 221 a 230

bebe221.

O bebê dorme no banco traseiro do carro estacionado na rua. Sozinho. As janelas estão fechadas. São três da tarde de um dia quente de verão, sol a pino.

222.

Eles eram um casal perfeito. Amavam-se em todas as despedidas e se odiavam nos intervalos.

223.

– Quantas vezes por dia você sonha?

– Tantas quanto pisco os olhos.

– E quando tem pesadelos?

– O resto do tempo.

224.

Ela gritou quando a sala de cinema ficou às escuras. Sempre lhe dava medo ficar por um tempo longe do mundo real.

225.

O ciclista venceu a corrida depois de pedalar por horas. Mas não ficou contente nem se sentiu vencedor: sua sombra tinha chegado primeiro.

226.

A medicina é muito simples: é só tratar o doente e esperar. Quando ele se cura: perfeito, foi tudo um sucesso. Quando não se cura: sinto muito, tentamos tudo.

227.

O desfile de moda foi impressionante! As costuras estavam perfeitas, não se via nenhuma cicatriz sobre o corpo das modelos.

228.

Quando eu era criança e acabava a luz em casa, nós ficávamos sentados em volta da mesa da cozinha, olhando a vela que queimava lentamente e iluminava o nosso rosto. Mantínhamos silêncio, ansiosos para que a luz voltasse e pudéssemos ligar logo a televisão.

229.

Minha mãe vive como se o mundo fosse acabar amanhã. Meu pai, como se o mundo há muito tempo já tivesse acabado. Eu estou confuso, e não sei muito bem em que mundo vivo.

230.

Quando conseguimos juntar dinheiro suficiente para pagar a luz e a água, o carteiro chegou com a fatura do ar e da terra. Felizmente ainda não descobriram o quinto elemento.

 

 




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29 de janeiro de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos Minímos contos, mínimos

               
              
            
                

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