Close

15 de junho de 2015

Contos Mínimos # 311 a 320

meninos-correndo311.

Onze meninos corriam descalços pelo terreno baldio da favela, brincando. Vistos do helicóptero pelos policiais armados com metralhadoras, pareciam traficantes fugindo.

312.

– Ei, vovozinha, passa pra cá tudo o que você tem aí na mão – disse o assaltante.

– Ai, meu filho, que bom que alguém resolveu me ajudar! Pegue aqui as sacolas, eu estou tão cansada…

313.

Ele vive o pior dos lutos: aquele que se guarda por uma pessoa viva.

314.

Depois de pensar um pouco, ela concluiu que o homem que lhe provocava olheiras e insônia era bem mais interessante que o homem de seus sonhos.

315.

– Você é uma mulher encantadora – disse ele, acendendo um cigarro.

– Eu também adorei você – disse ela, com um sorriso.

– Eu gostaria de repetir a dose, pode ser? – perguntou ele.

– Pode ser, claro. Na próxima vez eu só cobro a metade.

316.

De acordo com meu horóscopo, tenho forte tendência a me deixar levar pela preguiça, e frequentemente começo algo e não term

317.

Ao chegar aos 40 anos ele descobriu maravilhado a fonte da juventude. O segredo era simples: um tiro na cabeça e pronto. Nunca mais envelheceu.

318.

Buscou sua calcinha por todos os cantos do quarto e não achou. Não estava no armário, no chão ou em cima da cama. Já não dava mais tempo. Ouviu a chave girar na fechadura da porta de entrada e entrou em pânico. Tinha chegado. Soltou um “que merda!” e vestiu-se rapidamente, sem calcinha mesmo.

– Já cheguei, Alfredo – ouviu a voz de sua mulher enquanto fechava a braguilha.

319.

João e Maria eram trapezistas e casados. Eram os únicos que sabiam dar o triplo salto mortal sem rede de proteção. João confiava em Maria e vice-versa. Um dia, João descobriu que Maria o traía com o palhaço, mas Maria não sabia que João tinha descoberto seu deslize. Foram fazer seu número, que exigia total confiança entre os parceiros. Maria, que não sabe que foi descoberta, ainda confia em João. Mas não devia.

320.

Quando era criança, ele fazia barcos de papel e os colocava para navegar na enxurrada, após a chuva. Corria atrás deles, simulava naufrágios, sonhava viagens por mares desconhecidos, até que eles desaparecessem bueiro adentro. Hoje a vida mudou: já não há crianças brincando com barcos de papel na rua. Não há nem barcos. Nem mesmo chuva.

 




Tags:,

15 de junho de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos Minímos contos, mínimos

              
            
  1.     
                        
              
            
                

Deixe um comentário