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17 de agosto de 2015

Contos Mínimos # 351 a 360

barro351.
Com habilidade e paciência, criou o clone perfeito de si mesmo. Não apenas era idêntico a ele, como também pensava como ele, tinha os mesmos sonhos, medos e ambições. “E pensar que eu só usei barro e dei um sopro…”, disse, e se deitou para descansar.

352.
Depois de vinte anos de matrimônio, e várias sessões de terapia de casal depois, eles descobriram finalmente a importância do sexo no casamento. Desde então, mergulharam fundo na questão e passaram a fazer amor cinco vezes por semana. Mas só uma era entre eles.

353.
Entre uma braçada e outra, Arturo Cepeda canta para si “Yo soy un hombre sincero” a cada vez que consegue levantar a cabeça da água. Está quase sem ar e muito cansado. Mas não interrompe as braçadas. Nunca imaginou que “Guantanamera”, a canção que sua mãe cantava para fazê-lo dormir, um dia seria seu estímulo para ganhar uma nova vida. “Y antes de morirme quiero…” – sua voz agora é um fio, os pulmões encharcados de água.

354.
Ele a pediu em casamento. Ela não aceitou. E foram felizes para sempre.

355.
Joana esteve presa na escuridão por vários meses, cheia de medo. Mas um dia de abril tudo mudou. Ela viu a luz: nasceu.

356.
Anos depois do casamento, ela publicou um anúncio no jornal: “Vende-se marido. Bom estado. Ainda com todos os acessórios originais. Transformável em sapo. Preço a combinar”.

357.
Tinha uma cara na frente e outra na parte de trás da cabeça. A da frente era bondosa, gentil, sorridente e simpática. A de trás, odiosa, maledicente, hipócrita, falsa. Como se vê, era uma pessoa absolutamente normal.

358.
Ela me ofereceu o corpo, eu lhe dei meu coração. Não chegamos a um acordo.

359.
Quando o sino tocou a última badalada, a magia terminou e tudo voltou a ser como antes. Desesperada, Cinderela não sabia o que fazer para sair daquela abóbora apertada.

360.
Os motoristas da cidade descobriram que o sinal vermelho de todas as esquinas é, na verdade, um portal que os leva a outra dimensão. Passar por ele é o mesmo que transportar-se a outro plano existencial, principalmente quando, na transversal, vem outro veículo.

 




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