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29 de setembro de 2015

Contos Mínimos # 381 a 390

conto381.

Ser… não ser… Sei lá!

Foda-se! Pra mim dá no mesmo.

382.

Vai escutando, comadre: ela se divorciou e ficou pobre, tão pobre que ninguém apareceu na festa de aniversário, nem família nem amigos. O bom de tudo é que ela deu um jeito de ir para Paris, e lá conheceu um empresário muito, muito rico, que se encantou com sua beleza morena. Passou várias semanas no luxo, fez compras na Champs-Élysées, tomou champanhe com o tal ricaço. Ah, eu fiquei feliz por ela, a coitada merecia mesmo uma sorte melhor. Deu uma repaginada no visual, fez uns liftings, mudou a cor do cabelo – não sei se ficou bom, porque ainda não vi. Aliás, eu nunca a vi em pessoa, nem nunca falei com ela, mas não perco um post do Face.

383.

Aquele sujeito teve uma sorte danada. Dos oito disparos que recebeu, só um foi mortal.

384.

Ele ficou contente quando percebeu que ninguém notara sua morte. Afinal de contas, nada tinha mudado mesmo.

385.

Depois de três tentativas frustradas de suicídio, ele se tornou uma pessoa paranoica, com mania de perseguição. A vida o perseguia, implacável.

386.

Eu disse que a amava e ela morreu de rir. “Isso não tem nada a ver com amor, querido. Pare de falar besteira e me pague logo, que a noite mal começou e eu tenho que voltar pra rua.”.

387.

“Esta foi a última vez que dou atenção a uma sereia”, pensou o marinheiro com raiva, enquanto, entre uma braçada e outra, seus pulmões iam pouco a pouco se enchendo de água salgada.

388.

Um otimista é aquele que acredita que tudo tem jeito. Um pessimista pensa o mesmo, mas tem certeza de que ninguém vai tentar.

389.

Ele foi internado no hospício porque vivia dizendo que conseguia dominar a força da gravidade com o poder de seu pensamento. Agora vive trancado numa cela acolchoada, esquecido de todos, e chora sua solidão de cócoras no teto.

390.

No cruzamento, um pequeno grupo de pessoas espera a mudança do sinal para atravessar a rua. Olham fixo para o homenzinho vermelho do outro lado, na expectativa de que se torne verde. Verde. Cada um aguarda que o outro dê o primeiro passo. Ninguém se move. O homenzinho fica vermelho de novo. O pequeno grupo de pessoas permanece à espera.

 




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29 de setembro de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos Minímos contos, mínimos

               
              
            
                

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