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11 de novembro de 2016

Contos Mínimos # 641 a 650

estrelado

641.

Minha mãe dizia: Sempre penso que as estrelas são a alma das pessoas que se foram e, com seu brilho, nos avisam para que não nos esqueçamos delas. Isso me deixou bastante pensativo e comovido. Acho que minha mãe tem razão e que, de vez em quando, não custa nada olhar para o céu e acenar com a mão, ou até dizer Olá!

642.

Tenho problemas com as contas e com a matemática em geral: na vida, ou me sobram noites ou me faltam dias.

643.

Agora que gritamos e quase ninguém escuta; agora que o silêncio diz quase tudo; agora que… Agora o quê?

644.

Eugênio estava feliz: conseguiu reunir a família inteira para as férias, rumo à Europa no mesmo avião. Durante o voo, levantou-se do assento para olhá-los: a esposa, seus dois filhos, suas noras e seus quatro netos dormiam tranquilamente. Ele também fechou os olhos, satisfeito, com um sorriso nos lábios. Morreram todos juntos.

645.

O que é a vida? A vida é essa coisa que passa enquanto perdemos tempo fazendo planos.

646.

Receber carícia nos cabelos é geralmente muito bom, a menos que sejam três horas da madrugada, você esteja dormindo com todas as luzes apagadas e more sozinho.

647.

As promessas feitas em certas campanhas políticas estão sendo cumpridas ao pé da letra. Nos últimos anos os brasileiros deixaram, finalmente, de ser pobres. Agora são paupérrimos.

648.

Sonhei que o trem estava chegando à estação e havia lugar vago na janelinha. Mas eu não tinha bilhete.

649.

Você se desespera, se alegra, se entristece, fica melancólico, se enfurece, grita, ri, xinga a mãe de terceiros, lança praga, abençoa, chora, se maravilha com o pôr do sol, ameniza a dor alheia, inferniza a vida dos outros e, no fim do dia… não aconteceu, não acontece e nem acontecerá nada.

650.

A vida? A vida é eterna. Somente nós morremos.

 




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