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10 de agosto de 2017

De papi pra filho

— O que o senhor acha, papi? Hoje ela parece mais boazinha, não? A voz, pelo menos, está menos áspera. Já tá acostumada, eu acho.

— Pode ser, filho. As pessoas se acostumam com tudo, até com o que é ruim. E vejo que você também tá mais calmo, depois da lambança de ontem. Você tem que ir com jeito. É o que sempre digo: antes do coração, a razão. Pense primeiro com a cabeça, rapaz, racionalize. Essa coisa de amor é uma bobagem.

— É que ela me deixa louco, papi! Ontem, quando ela resistiu, não sei o que me deu.

— Então agora fica na moita, não vai foder com tudo, se acalme. E tome o seu remedinho.

— Mas ela é uma gata, não é, papi?

— É mesmo um pedaço de mulher, bonita, gostosa. E você tá encantado, pelo que eu vejo. Isso é natural, você é jovem, ela também, os dois têm saúde e tesão sobrando pelos poros, é tudo muito normal. Mas segure um pouco a onda, porra! Na sua idade eu também era alvoroçado assim, fazia muita loucura. Mas vou lhe dizer o mesmo que seu avô me dizia: divirta-se, se lambuze até um certo limite, sem muita violência e sem deixar marcas, a moça tá dando sopa aí mesmo, aproveite o máximo enquanto tiver tempo. Porque você pode ser idiota, mas sabe que isso vai ter fim um dia. E não faça a estupidez de se apaixonar.

— Por quê, papi?

— Porque tem vezes que a família faz cu doce e não paga o resgate. Não seja burro e vá tomar o seu remédio.

 




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10 de agosto de 2017 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/mbaggio/" title="Visualizar todas as postagens por Mario baggio" rel="author">Mario baggio Contos filho, moça, papi

              
            
  1. Fascinante , Achando q era uma relacao de amor, me surpreendeu o final….era so trabalho, como se ve passando de geracao pra geracao, parece coisa dos politicos de carreira aqi do Brasil .

  2.     
                        
              
            
                

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