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26 de agosto de 2015

Descompasso

descompassoNão deu certo. Ele a amava tão lentamente que ela não percebeu. A dele era uma paixão silenciosa, feita de olhares demorados, entardeceres com cheiro de comida, noites de música e vinho.

Ela, ao contrário, tinha um querer intenso, seu afeto era veloz, o carinho, acelerado, tinha urgência entre os lençóis. O ritmo frenético de sua paixão o atordoava.

Nesse descompasso entre quietude e pressa, os beijos nunca se encontravam, as carícias chegavam sempre atrasadas, as palavras ficavam soltas no vazio, sem eco.

E assim um amor inteiro ficou esperando, calado, enquanto o outro passava ligeiro, sem deixar rastro. Não deu certo.

 




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