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30 de julho de 2015

Desculpe o incômodo!

tela2Madrugada, o telefone celular toca e me acorda. Olho a tela – número privado – e aperto o botão verde. “Carlos Baruque?”, indaga uma voz masculina desconhecida. “Não, número errado”, respondo contrariado e desligo o aparelho. Procuro pegar no sono de novo. Dois minutos depois, novo som do telefone. O mesmo número privado e a mesma voz perguntando por Carlos Baruque. Eu repito, com rispidez, que ele se equivocou, que aqui não há nenhuma pessoa com esse nome. “Desculpe o incômodo, enganei-me na hora de digitar o número”, diz a voz. Desligo e penso: “Idiota, por que não vai acordar a mãe dele?”. Tento novamente pegar no sono e dormir as poucas horas que restam antes que chegue a manhã. O telefone toca pela terceira vez e a mesma voz pergunta por Carlos Baruque. Resolvo pôr um fim à questão: “Sim, sou eu, quem fala? Aconteceu alguma coisa?”, respondo, visivelmente irritado. “Sim, senhor Baruque, acabo de dar um tiro na cara de seu filho. Joguei o corpo no rio Tietê, perto da Casa Verde”. Desligo. Ainda que seja solteiro e não tenha filhos, perdi o sono por completo. Fiquei olhando a paisagem da cidade de São Paulo pela janela. O dia amanheceu.

 




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