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25 de abril de 2015

Diferente

diferente1

Desde que nasci moro num hospital. Nunca conheci outra casa. E, além de minha mãe, as únicas pessoas que me visitam são os médicos e as enfermeiras. Eles nunca me deixam sair do quarto, mesmo que eu diga que estou bem e que nada me dói. Olho pela janela e vejo o jardim, o sol brilhando e a grama verde. Imagino como deve ser a vida lá fora, como seria pisar descalço nas pedras e na terra, tocar uma árvore, sentir o sol na pele e o perfume das flores. Adoraria que alguém, fora minha mãe, me desse um beijo. Mas o pior de tudo não é ficar trancado aqui: são os exames que fazem em mim todos os dias. Hoje colheram meu sangue por duas vezes. Minhas veias estão doloridas pelas agulhas que me enfiam diariamente. Os médicos são bonzinhos e me tratam muito bem. Ficam horas me olhando como se eu fosse um ser de outro planeta. Eu sei que sou diferente, mas eu sou só um menino. As enfermeiras me trazem livros para passar o tempo e às vezes vemos juntos um filme na televisão. Nessas ocasiões, as lágrimas inundam meus olhos e teimam em descer pelo meu rosto. Como não quero que me vejam chorar, eu finjo que estou com sono e fecho os olhos. Os cinco.

 




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