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10 de setembro de 2016

Distrato

distrato

Devolvo os beijos que você me deu,

eles não passaram pelo período de experiência.

Seu amor veio com defeito de fabricação

e em pouco tempo virou sucata.

O investimento em filhos não deu dividendos,

não estudam nem trabalham.

A casa de frente pro mar foi pura enganação

e veio abaixo diante da fome dos empreiteiros

(eles pensaram que eu fosse achar lindo morar num shopping center).

Idiotas!

A saúde que comprei em suaves prestações

agora pesa uma tonelada no orçamento,

mais o colesterol e os triglicérides, que não param de subir.

Nem em minha dentadura posso confiar:

é agente duplo — finge que está a meu serviço,

mas trabalha pro inimigo, meu dentista.

Uso óculos, mas não vejo o que deveria ver,

e só enxergo o que me maltrata o fígado.

E você ainda briga comigo se eu vomito…

Sendo assim, peço distrato de tudo

e rogo que me dispense de pagar multa.

Contrato porcaria a gente quebra,

ninguém sai no prejuízo

e fica tudo por isso mesmo.

 




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10 de setembro de 2016 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Poesia contrato, distrato

               
              
            
                

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