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17 de junho de 2015

Dói

dor

Berenice era uma mulher resistente, disposta e expedita, acostumada a sempre cuidar com presteza e silêncio dos problemas alheios, mas ultimamente tem mostrado sinais de fraqueza. Sente dores inexplicáveis por todo o corpo, como se agulhas picassem cada centímetro de sua pele. Agora é comum vê-la passando as mãos com força pelas pernas, como a querer espantar esse incômodo que ela não entende nem sabe de onde vem. Médico nenhum sabe explicar a origem nem a causa de tantas dores, e os remédios são inúteis. As dores permanecem.

Visitou outro dia um velho médico que lhe recomendaram. Ele a olhou, tomou seu pulso, auscultou seu peito e suas costas com cuidado. Olhava sempre para o rosto de Berenice durante o exame. Apertou suas mãos para aquecê-las e em seguida pressionou seu ventre e suas costas. Berenice gemia de dor. O diagnóstico a surpreendeu: o que tinha no corpo, e lhe doía tanto, eram lágrimas. Estavam cristalizadas por não terem sido choradas no momento certo. E eram muitas lágrimas, tantas, que seu corpo não conseguia mais represá-las. Por isso doía.

 




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17 de junho de 2015 < a href="http://homemdepalavra.com.br/author/" title="Visualizar todas as postagens por " rel="author"> Contos dor, dores, lágrimas

               
              
            
                

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