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19 de março de 2019

Empatia

Cheguei no exato momento em que o menino, atirado na sarjeta, já esgazeava os olhos. Me agachei a seu lado e acariciei seus cabelos com o maior cuidado. Havia sangue em volta dele, saindo de um buraco na cabeça. Havia pedaços de crânio também, aqui e ali. Um carro, minutos antes, o tinha atropelado, e o motorista não parou para prestar socorro. Atrás de mim, as pessoas passavam apressadas. Olhavam o menino no chão, balançavam a cabeça e seguiam caminho. O garoto me olhou com súplica e olhos tristes e sussurrou que queria sua mãe. Eu disse que ficasse calmo, daqui a pouco chegaria a ambulância que iria levá-lo ao hospital e tudo ficaria bem.

Arrumei seu cabelo sobre a cabeça ensanguentada, abri alguns botões de sua camisa para expor o peito raquítico e ossudo de criança pobre e posicionei a câmera do celular para captar o melhor ângulo. Atenção, garoto, olhe pra cá, lá vai, agora!

 




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