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8 de janeiro de 2016

Esta casa vazia

casa vaziaMeu filho foi embora de casa hoje. Sentado no sofá, vi quando ele cruzou a porta da frente sem olhar para trás. Já é um homem e ainda ontem era um menino – quando foi que ele cresceu? Prendi a respiração e fechei os olhos. No silêncio que inundou a sala, ouvi seus passos no jardim e o barulho metálico quando ele trancou o portãozinho de ferro. Depois não ouvi mais nada. Meu filho tinha ido embora. Um estranho tinha deixado a casa. Esse estranho era o meu filho.

Abri os olhos e considerei o vazio que ali estava, e o silêncio, que tudo preenchia. Fiquei triste com a partida do meu filho. Busquei com os olhos os inúmeros porta-retratos sobre o aparador da sala. Em todos eles estava esse estranho que era o meu filho. O estranho aos cinco anos, aos doze, aos dezesseis.

Para o dedo machucado do menino de cinco, eu dei um assopro e disse que não era nada. No Natal e no aniversário eu o enchia de brinquedos novos, mas ele sempre dormia abraçado ao velho ursinho de pelúcia. Assim era aquele pequeno estranho, assim era o meu filho. Eu nem sempre podia estar com ele, era muito ocupado com as coisas deste mundo, mas nunca o deixei sem a companhia da babá. Enquanto esteve comigo, nada faltou ao meu filho, nada faltou ao estranho que morava comigo e que acabou de ir embora de casa. Ele foi embora sem que eu o conhecesse.

Olho em volta e penso: Sinto tanto a falta dele!

Eu não conheci o meu filho, e hoje ele se foi.

Agora há este silêncio. E esta casa vazia.

(inspirado no conto “Eu não o conheci”, in “As Laranjas Iguais”, de Oswaldo França Jr)




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